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Senhores parlamentares:
Certamente é de conhecimento de vossas senhorias que há quatro dias mantemos uma greve por melhores salários e condições de trabalho. Porém, o que não sabemos é se nossos dignos representantes têm conhecimento das verdadeiras razões do porquê de chegarmos a tal situação. A categoria dos trabalhadores dos Correios e Telégrafos, que tem nesta Casa o forte apoio da Frente Parlamentar dos Trabalhadores nos Correios, é uma das mais sacrificadas do funcionalismo público. Para começar, recebe um salário base de R$648,15 (é verdade: seiscentos e quarenta e oito reais e quinze centavos) e há quinze anos espera do governo um reajuste digno, um Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS), Participação nos Lucros e contratações. Com o advento do governo Lula, ou seja, há sete anos, foi um alento para os ecetistas, pois esperávamos que um governo preocupado com as categorias menos favorecidas teria complacência e reconheceria nossa importância na sociedade. É bom lembrar que o papel desenvolvido pelos Correios neste país continental é de fundamental importância em rincões onde nem mesmo imaginamos chegar. Em algumas cidades, os correios são a única representação do Estado. E cabe a ele a integração do nosso país. Isso somente é possível pelo fator de ser público e ter o interesse social. A verdade também é que milhões de brasileiros não têm ainda a entrega direta de correspondências em suas residências. No Distrito Federal, por exemplo, aproximadamente 600.000 (seiscentas mil) residências não são atendidas pelos carteiros por falta de uma política de contratações, adotada por diversos governos. Os correios do Brasil precisam urgentemente de contratações para atender a sua imensa população. A França, por exemplo, tem 300.000 (trezentos mil) funcionários para atender uma população muito menor que a nossa e a ECT tem pouco mais de 110.000 (cento e dez mil) funcionários para chegar um contingente populacional muito maior. Novas contratações para atender com qualidade a nossa população podem gerar mais de 200.000 (duzentos mil) empregos. E, por desempenhar esse papel social, os correios do Brasil não podem ficar à míngua ou até mesmo acabar como pretendem alguns empresários. Daí a nossa luta contra a quebra do monopólio postal. Mas para que esta chama se mantenha e tenhamos um serviço público de qualidade, é preciso investir na empresa. A ECT, segundo seus diretores e o próprio ministro Hélio Costa, se orgulha de ser uma das empresas que mais dá lucro ao governo. Mas, que contradição, senhores parlamentares, também é uma das que pior remunera seus funcionários. Estima-se que somente neste ano de 2009 a ECT deve atingir um lucro de quase um bilhão. No entanto, vira as costas para seus funcionários na hora de negociar um salário justo e lhes oferece as migalhas sobre o suor trabalhador. Essa é uma das principais razões para batermos à sua porta e sensibilizá-los sobre nossa causa. Chega de miséria. Não pedimos nada mais que o justo. Sempre estivemos e estaremos prontos para negociar. Mas a intransigência patronal sequer nos dá o direito constitucional de fazer uma greve para reivindicar nossos direitos. Até tachados de covardes já fomos por exercer nossa cidadania ao almejar condições mais justas para nossas famílias. Por estas razões nos dirigimos aos digníssimos parlamentares no sentido de interceder junto ao Exmo. Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, para que dê mais atenção à nossa categoria para que encerremos de vez esse impasse. Só estamos reivindicando o que nos é de direito. DIRETORIA DO SINTECT/DF |

